Os impactos combinados do terrorismo, calamidades naturais e dificuldades económicas continuam a agravar as condições de vida de milhares de idosos em Cabo Delgado, aumentando situações de vulnerabilidade social, dependência e exclusão. O alerta foi apresentado durante as celebrações do Dia Internacional de Sensibilização contra a Violência à Pessoa Idosa, assinalado na província sob o lema “Idoso, proteja hoje quem cuidou de si ontem”.
Apesar de representarem uma importante referência social, cultural e histórica para as comunidades, muitos idosos continuam a enfrentar obstáculos no acesso a serviços essenciais, num contexto marcado pelos efeitos prolongados da insegurança e dos desastres naturais que afectam a província.
Durante a cerimónia, a diretora provincial de Género, Criança e Ação Social, Kiriliana Mbule, destacou que os desafios enfrentados pela população idosa tornaram-se mais complexos nos últimos anos, sobretudo para aqueles que vivem em situação de isolamento ou que assumem responsabilidades familiares acrescidas.
Segundo a responsável, a crise humanitária provocada pelo terrorismo e pelos fenómenos climáticos extremos tem contribuído para o aumento das dificuldades enfrentadas por idosos que, em muitos casos, são responsáveis pelo sustento e cuidado de netos e outros membros da família.
Além das dificuldades económicas, persistem situações de descriminação, negligência e violência contra pessoas da terceira idade. As autoridades apontam ainda a existência de práticas associadas a determinadas crenças e costumes que continuam a comprometer a dignidade e os direitos desta camada da população.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que Cabo Delgado deverá contar, em 2026, com cerca de 164.483 idosos, correspondendo a aproximadamente 6% da população provincial. As mulheres representam a maioria deste grupo, com cerca de 56% do total.
Embora desempenhem um papel relevante na transmissão de valores, conhecimentos tradicionais e memória coletiva, muitos idosos enfrentam limitações no acesso a cuidados de saúde, assistência social, alimentação adequada e apoio familiar, fatores que contribuem para o agravamento da sua situação de vulnerabilidade.
Face a este cenário, o Governo reiterou o seu compromisso de fortalecer as políticas de proteção social destinadas à população idosa, através da ampliação dos programas de assistência, do reforço do acompanhamento psicossocial e da melhoria dos serviços de saúde adaptados às necessidades da terceira idade.
Entre as medidas consideradas prioritárias estão igualmente o combate à violência contra os idosos, a redução dos casos de abandono familiar, a prevenção da discriminação e o fortalecimento dos mecanismos comunitários de proteção e denúncia.
Para concretizar estes objetivos, o Executivo pretende continuar a trabalhar em articulação com parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e famílias, procurando criar uma resposta mais abrangente e inclusiva para os desafios enfrentados pelos idosos.
Na ocasião, Kiriliana Mbule apelou ao envolvimento de toda a sociedade na promoção e defesa dos direitos da pessoa idosa, sublinhando que a proteção desta camada da população deve constituir uma responsabilidade partilhada entre o Estado, as comunidades e as famílias.
As celebrações serviram ainda para reconhecer o papel desempenhado pelos idosos na construção da sociedade moçambicana, destacando o seu contributo para a preservação da identidade cultural, da memória coletiva e do desenvolvimento das comunidades. Num contexto de múltiplos desafios sociais e humanitários, as autoridades defendem que garantir dignidade, proteção e inclusão aos idosos continua a ser uma prioridade para o desenvolvimento sustentável da província e do país.




