O crescente uso dos serviços de moeda electrónica em Manica tem sido acompanhado por uma preocupante onda de assaltos contra agentes que operam no negócio. O caso mais recente ocorreu na madrugada deste domingo, no distrito de Manica, onde um grupo de homens armados invadiu a residência de um operador e apoderou-se de mais de 600 mil meticais, aumentando o sentimento de insegurança no sector.
Informações recolhidas no local do crime indicam que cerca de 14 indivíduos munidos de armas de fogo e catanas cercaram a residência durante a madrugada. A operação durou aproximadamente uma hora e meia e foi marcada por disparos de intimidação, agressões e buscas minuciosas por dinheiro na residência, uma situação que sucede num momento em que a busca pelo dinheiro tem sido uma das principais tarefas diárias dos indivíduos.
Conta-se que durante o assalto, o proprietário da residência, familiares e o guarda viveram momentos de terror. Os assaltantes ameaçaram os proprietários da casa e crianças, obrigando as vítimas a indicar onde se encontrava o dinheiro proveniente da actividade de moeda electrónica.
“Foi por volta das 00:00h, estávamos a dormir, num tempo inesperado eu acabei percebendo o rompimento da grade da porta e naquele momento fui a janela pedindo socorro porque já vinha percebendo que não era um movimento normal, depois ouvi um disparo e fiquei fraco, não consegui mais proceder com os gritos”, contou Edmundo Jeremias, vítima dos malfeitores.
Segundo contou a vítima, contou que tratava-se de 12 indivíduos que entraram dentro da casa que em menos de cinco minutos teriam saído da varanda para o quarto onde os proprietários da residência encontravam-se.
“Os outros ficaram do lado de fora, e dois deles entraram no quarto das crianças, torturando-as, e os indivíduos que entraram no quarto estavam munidos de catanas e armas de fogo, e exigiram que tirássemos o valor, e me apercebi que era impossível negociar com eles, eu liberei sozinho a pasta, eles tiraram os valores inclusive os celulares, que lá tinham”, explicou.
A vítima, contou que o episódio levou muito tempo, e que era repleto de ameaças de morte caso não se tirasse o valor. Jeremias, acrescentou que os supostos bandidos apoderaram-se também de valores de dízimo já que era o tesoureiro da sua Igreja.
A esposa da vítima contou que os supostos malfeitores não tiveram nem sequer compaixão e agiram com tanta brutalidade até para com as crianças. “Eu tentei impedir, gritar e usar toda força para lutar, mas não deu chance, começaram a me catanar e logo calei. As crianças também sofreram, mas graças a Deus nós todos estamos bem”, contou.
O guarda da residência relatou que um dos primeiros indivíduos que o abordou envergava um uniforme semelhante ao da Polícia da República de Moçambique (PRM) e encontrava-se com o rosto coberto, um facto que deverá ser esclarecido no decurso das investigações.
“Quando chegaram, me pegaram e me amararam, eu tinha três mil meticais, levaram e me torturaram. Perguntaram onde estava o dono da casa porque ele é que tem muito dinheiro, e quando [o patrão] saiu disparam”, contou o guarda.
Além do prejuízo financeiro, o caso deixou marcas emocionais na família, que afirma continuar a viver sob medo de um novo ataque. Os moradores do bairro Vumba , bairro afectado, dizem que o clima é de preocupação.
O secretário do bairro confirmou que este é o terceiro assalto com características semelhantes registado naquela zona, situação que preocupa a comunidade e reforça o sentimento de insegurança entre os residentes.
“Fui telefonado de madrugada, recebendo informação de roubo do valor, chegando perguntei os guardas o que aconteceu, os guardas disseram que tinha um polícia e outros. Nós queremos saber como essas armas estão nas mãos dos malfeitores, porque este não é o primeiro caso a acontecer, pedimos ao Governo do distrito de Manica para nos ajudar”, aclamou Bernardo Mutende, secretário do bairro.
Dados recolhidos pela nossa reportagem indicam que este é o sexto caso de assalto a agentes de moeda electrónica registado este ano no distrito de Manica. O padrão de actuação, marcado pelo uso de armas de fogo, catanas e elevado número de assaltantes, levanta suspeitas sobre a existência de grupos organizados especializados neste tipo de crime.
Para muitos operadores, a actividade passou a ser exercida sob permanente receio. O aumento das transações electrónicas transformou os agentes num serviço essencial para as comunidades, mas também os tornou alvos preferenciais de criminosos, devido às elevadas quantias de dinheiro que frequentemente movimentam.
Contudo, moradores e líderes comunitários apelam ao reforço do patrulhamento policial e à realização de investigações capazes de identificar e responsabilizar os autores destes crimes, travando uma onda de violência que ameaça não apenas os agentes de moeda electrónica, mas também a tranquilidade das comunidades.



