A possibilidade de períodos de baixa precipitação está a levar autoridades, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação a discutir alternativas para proteger a produção agrícola e a segurança alimentar das comunidades mais vulneráveis em Moçambique, com a aposta em culturas resistentes à seca entre as medidas consideradas.
O tema esteve em debate esta terça-feira, 28 de Julho, em Maputo, durante um encontro promovido pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que reuniu parceiros e outros intervenientes para preparar medidas de prevenção face aos possíveis impactos do El Niño. Entre as preocupações apresentadas estão a redução das colheitas, a escassez de água e os efeitos sobre as famílias que dependem da agricultura de sequeiro.
O director da Direcção de Assistência à Redução do Impacto dos Desastres e Adaptação à Seca (DARIDAS), Paulo Tomás, defendeu que a preparação deve começar antes da ocorrência dos períodos críticos. “A criação antecipada de mecanismos de mitigação constitui um factor fundamental para reduzir os danos provocados pelo El Niño nas comunidades em situação de vulnerabilidade”, afirmou, apelando ainda à coordenação entre Governo, parceiros e comunidades e à atenção à nutrição das famílias afectadas.
Entre as alternativas discutidas está a diversificação da produção agrícola através de variedades adaptadas a períodos de défice hídrico. O consultor da organização Gutsamba Comunidade, Pedro Tomo, defendeu o acesso dos pequenos produtores a sementes adequadas, conhecimento técnico e apoio institucional. “A introdução de variedades resilientes permite garantir colheitas mesmo em condições de baixa precipitação, contribuindo directamente para fortalecer a segurança alimentar e nutricional das famílias”, afirmou.
Além da escolha de culturas mais resistentes, os participantes defenderam o uso de técnicas de conservação da humidade do solo, sistemas de alerta precoce e melhor gestão dos recursos hídricos. A preocupação concentra-se sobretudo nas zonas áridas e semiáridas, onde a dependência da agricultura familiar torna as comunidades mais expostas aos efeitos da irregularidade das chuvas e da escassez de água.




