Moçambique registou progressos na redução da desnutrição crónica infantil, que passou de 43%, em 2011, para 37%, em 2022-23. Apesar da melhoria, o problema continua a representar um desafio de saúde pública, com taxas particularmente elevadas nas províncias de Nampula, com 47%, Cabo Delgado, com 45%, e Zambézia, com 44%, segundo dados apresentados num estudo do Observatório do Meio Rural (OMR), conduzido pelo economista Yasser Arafat Dadá.
A análise mostra, contudo, que os avanços na redução da desnutrição crónica coexistem com outros problemas nutricionais. A prevalência de anemia entre crianças dos seis aos 59 meses aumentou de 69,1%, em 2011, para 72,9% em 2022, evidenciando a persistência de deficiências nutricionais entre as crianças moçambicanas.
O cenário é agravado pelo facto de cerca de 94% da população não conseguir custear uma dieta saudável.
Perante este quadro, o estudo defende medidas que vão além do combate à fome, incluindo transferências monetárias ou em espécie, fortificação de alimentos, suplementação de micronutrientes e apoio à produção de alimentos de maior valor nutricional.
O OMR recomenda igualmente uma política agrária orientada para a nutrição, com diversificação da produção, promoção da horticultura e das leguminosas, investimento em cadeias de frio e inclusão de indicadores nutricionais na avaliação da produção agrícola.



