A juventude moçambicana defende a adopção de medidas que permitam reduzir o custo dos principais materiais de construção, considerando que os preços actualmente praticados dificultam o acesso dos jovens à habitação condigna. A proposta foi apresentada pelo Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Kino Caetano, durante a IX Conferência Nacional da Juventude, realizada em Pemba, província de Cabo Delgado, sob o lema: “Contextos diferentes, aspirações comuns”.
A questão da habitação voltou a ocupar espaço no debate sobre as condições de vida da juventude moçambicana, numa altura em que muitos jovens enfrentam dificuldades para adquirir ou construir uma casa devido aos elevados custos associados à construção.
Ao intervir na conferência, Kino Caetano reconheceu que existem esforços das autoridades para enfrentar o problema habitacional, mas defendeu que as medidas em curso precisam de ser acompanhadas por outras intervenções capazes de reduzir os custos de construção.
Para o dirigente juvenil, o preço dos materiais constitui uma das principais limitações para quem pretende construir uma habitação, sobretudo numa realidade em que muitos jovens dependem de rendimentos reduzidos ou ainda procuram uma colocação no mercado de trabalho.
O dirigente do CNJ destacou alguns produtos que devem merecer a redução de preços actualmente praticados por considerar fundamentais para diferentes fases da construção de uma residência. “Gostaríamos também de pedir a redução do preço do cimento, das chapas de zinco e do varão de ferro”, apelou Kino Caetano.
A proposta apresentada pelo CNJ pretende colocar o acesso à habitação no centro das políticas destinadas à juventude, defendendo uma abordagem que não se limite à construção de casas, mas que tenha igualmente em conta a capacidade financeira das famílias e dos jovens para suportar os custos dos materiais.
Na perspectiva da liderança juvenil, tornar os materiais mais acessíveis poderia permitir que mais jovens avançassem com projectos de construção, mesmo que de forma gradual, e reduzir a dependência de soluções habitacionais que muitas vezes estão fora da capacidade financeira desta camada da população.
A questão ganha ainda maior relevância perante o crescimento das cidades e a procura crescente por habitação, particularmente entre jovens que deixam as zonas rurais em busca de formação, emprego e outras oportunidades económicas.
Além da habitação, a intervenção do Presidente do CNJ abordou outros factores que, na sua visão, condicionam o desenvolvimento da juventude. Entre eles está a corrupção, apontada como um fenómeno que reduz oportunidades, enfraquece a confiança nas instituições e prejudica o desenvolvimento económico e social.
Kino Caetano apelou, por isso, ao reforço das acções de prevenção e combate à corrupção, defendendo que o país precisa de instituições capazes de garantir maior transparência e igualdade no acesso às oportunidades. “Pedimos a intensificação da luta contra a corrupção, que mina o desejo colectivo dos jovens moçambicanos de progredirmos”, declarou.
Para o dirigente juvenil, a participação dos jovens não deve limitar-se à apresentação de reivindicações. A juventude deve igualmente assumir responsabilidades e contribuir activamente para a construção de soluções para os problemas do país.
Neste sentido, Kino Caetano reafirmou o compromisso dos jovens em colocar o seu conhecimento, energia e capacidade de intervenção ao serviço do desenvolvimento nacional, numa perspectiva de maior participação económica e social.
Kino Caetano defendeu igualmente uma maior capacidade de adaptação das políticas públicas às transformações da sociedade. Segundo o dirigente, as medidas adoptadas pelo Estado devem ser avaliadas regularmente e ajustadas sempre que deixarem de responder de forma adequada à realidade das comunidades.
A posição do CNJ coloca, assim, sobre a mesa uma agenda juvenil que vai além da questão do emprego, abrangendo também habitação, transparência, protecção social, saúde e participação nas decisões públicas.
O debate sobre a habitação surge, neste contexto, como uma das questões que exigem respostas concretas. Para os jovens, não basta existirem programas habitacionais se uma parte significativa da população continuar sem capacidade para suportar os custos de construção.
A redução do preço dos materiais, aliada à criação de oportunidades de emprego, acesso ao financiamento e estímulo ao empreendedorismo, é vista pela liderança juvenil como parte de uma estratégia mais ampla para permitir que os jovens tenham condições de construir uma vida autónoma e participar activamente no desenvolvimento do país.
As propostas apresentadas na conferência traduzem, assim, uma preocupação crescente da juventude em transformar as suas aspirações em políticas e medidas com impacto directo nas comunidades, colocando o acesso à habitação, a integridade das instituições e a protecção dos jovens entre os temas que exigem maior atenção das autoridades.
O debate sobre a habitação ganhou ainda maior destaque por ocasião do Dia Internacional da Juventude, assinalado a 12 de Agosto, data que serviu para reforçar a necessidade de colocar as condições de vida, os direitos e as aspirações dos jovens no centro da agenda pública. Neste contexto, o apelo à redução dos preços dos materiais de construção surge como uma das principais reivindicações para que mais jovens possam concretizar o sonho de ter uma habitação condigna e construir, com maior autonomia, o seu próprio futuro.




