O Rio Loreco, nas proximidades de Marrangira, distrito de Marrupa, no Niassa, transformou-se num cenário de preocupação ambiental depois de milhares de peixes terem sido encontrados mortos junto de uma lagoa, numa zona próxima da área tampão da Reserva Especial do Niassa, autoridades suspeitam de actividade de garimpo ilegal, mas aguardam análises laboratoriais para determinar a causa da mortandade.
As águas do rio Lureco, localizado no posto administrativo de Marangira, Distrito de Marrupa, que deveria representar vida para os ecossistemas e para as comunidades, na zona próxima da área tampão da Reserva Especial do Niassa, tornou-se agora objecto de investigação, em causa está, substâncias tóxicas foi colocado por individuais desconhecidos sobre o rio Lureco, tendo causado a morte massiva e prematura de milhares de peixes, uma situação que levanta preocupações ambientais, sobretudo pela dimensão da mortandade e pela proximidade de uma área de elevada importância ecológica.
Contudo, até ao momento, não existe confirmação sobre a substância envolvida nem sobre a causa exacta da morte dos peixes mas há relatos de que no local foram encontrados vestígios de substâncias ainda não identificadas, tendo as autoridades recolhido amostras da água e dos peixes para análise laboratorial.
A directora provincial da Agricultura e Pescas, Flávia Langa, confirmou durante a entrevista a nossa equipa de reportagem na manhã desta quarta-feira (30/09), a ocorrência e explicou que foram encontrados milhares de peixes mortos junto da lagoa neste momento uma equipa multissectorial, envolvendo a Polícia da República de Moçambique, o Serviço Distrital de Actividades Económicas de Marrupa, a AQUA e técnicos da área da Medicina e Saneamento, deslocou-se ao local para recolher informações e amostras “Tomámos conhecimento ontem que, no Rio Loreco, em Marrangira, foram encontrados, junto da lagoa, milhares de peixes mortos. Uma equipa multissectorial, composta pela PRM, SDAE de Marrupa, AQUA e técnicos da Medicina e Saneamento, foi ao local”,explicou Flávia Langa.
A descoberta de vestígios de substâncias acrescentou uma nova dimensão ao caso. Segundo a responsável, as equipas recolheram amostras que deverão permitir identificar a sua natureza e avaliar se existe uma relação entre a sua presença na água e a morte dos peixes “Encontrámos vestígios de substâncias ainda não identificadas, mas foram recolhidas amostras para o laboratório, assim como estes peixes mortos”, disse directora provincial acrescentando que além das substâncias, a equipa identificou sinais de actividade humana na área, descritos pelas autoridades como “picadas”, sinais estás que levantaram a suspeita de que grupos de garimpeiros ilegais possam estar a operar nas proximidades “Identificou-se que também há picadas. Supõe-se que um grupo de garimpeiros ilegais esteja a trabalhar nessa área”, acrescentou Flávia Langa.
Por se tratar uma área de conservação que faz limite com a Reserva Especial do Niassa, zona que tem sido alvo de caçadores furtivos que usam todo o tipo de meios à sua disposição para conseguirem animais de pequeno, médio e grande porte, através de tática perigosas até de envenenamento da água para conseguirem os seus objectivos, acrescenta peso à preocupação, as autoridades decidiram isolar o local e impedir o acesso da população, uma medida que visa garantir precaução enquanto decorrem as investigações, avançou a governante “Como Governo, foi isolado o local. Nenhuma população vizinha deve-se fazer ao local. Está-se a fazer estudos para se saber quais são as substâncias que foram introduzidas nas águas”, esclareceu Flávia Langa sublinha do que a medida procura reduzir o risco de exposição da população e evitar que os peixes mortos sejam recolhidos ou consumidos antes de serem conhecidas as causas da ocorrência.
De recordar que em Setembro de 2024, dois cidadãos foram detidos por suspeitos de terem jogado substâncias tóxicas sobre o rio Lureco, o que causou a morte massiva e prematura de peixes naquele rio de Niassa, localizado no posto administrativo de Marangira, Distrito de Marrupa.



