O acesso ao financiamento para pequenas e médias empresas (PME) dominou os debates da reunião do Conselho da Economia Azul, realizada na província de Inhambane, numa altura em que o Governo procura acelerar o desenvolvimento do turismo costeiro sustentável como um dos principais motores da diversificação económica do país.
O encontro reuniu representantes do Governo, sector privado, academia e parceiros de desenvolvimento para analisar soluções que permitam aumentar o investimento no turismo ligado à Economia Azul. A reunião foi orientada pelo Secretário de Estado do Mar e Pescas, Momade Juízo, e pelo Secretário de Estado do Turismo, Fredson Bacar.
Os participantes concordaram que o crescimento do turismo costeiro depende, em grande medida, da capacidade dos pequenos operadores económicos acederem a mecanismos de financiamento adaptados às suas necessidades.
Segundo os intervenientes, muitas iniciativas empresariais continuam por concretizar devido às dificuldades de acesso ao crédito e a instrumentos financeiros especializados. A falta de capital limita a expansão de pequenas unidades de alojamento, restauração, actividades recreativas, transporte turístico e outros serviços associados ao sector.
Durante a abertura dos trabalhos, Momade Juízo defendeu que o desenvolvimento da Economia Azul deve produzir benefícios directos para as populações residentes nas zonas costeiras. “A Economia Azul deve traduzir-se em benefícios concretos para as comunidades costeiras, através da geração de mais empregos, do aumento do rendimento das famílias e da melhoria das condições de vida”, afirmou.
O governante considerou que o turismo costeiro representa uma oportunidade para dinamizar as economias locais e reduzir as desigualdades sociais. Na sua intervenção, destacou igualmente a importância de criar um ambiente favorável ao investimento privado. Segundo explicou, o crescimento do turismo deverá assentar em políticas públicas capazes de conciliar desenvolvimento económico e conservação ambiental. “O t urismo costeiro desempenha um papel estratégico na atracção de investimento e no crescimento económico”, declarou.
Os participantes analisaram diferentes modelos de financiamento destinados às pequenas e médias empresas. Entre as propostas discutidas esteve o reforço dos mecanismos de apoio financeiro orientados para iniciativas de turismo sustentável. Os intervenientes defenderam igualmente a necessidade de estimular o empreendedorismo nas comunidades costeiras. Na avaliação dos especialistas presentes, o fortalecimento das PME poderá gerar novos postos de trabalho e aumentar a participação das populações na economia local.
Outro dos temas debatidos incidiu sobre a protecção da biodiversidade marinha. Os participantes defenderam que a preservação dos ecossistemas constitui um activo económico indispensável para o desenvolvimento do turismo. Na reunião foi consensual que a degradação ambiental comprometeria a competitividade dos destinos turísticos nacionais.
O Presidente do Conselho de Administração do ProAzul, Oswaldo Petersburgo, explicou que o Conselho da Economia Azul pretende reforçar a coordenação institucional. “O Conselho da Economia Azul foi criado para promover uma gestão integrada e sustentável dos recursos marinhos e costeiros”, afirmou.
Segundo Petersburgo, a cooperação entre instituições constitui um elemento essencial para o sucesso da estratégia nacional da Economia Azul e acrescentou que nenhum sector conseguirá, isoladamente, responder aos desafios colocados pela gestão sustentável do litoral. Durante a reunião foi igualmente destacada a importância da investigação científica na definição de políticas públicas. Os especialistas defenderam que o conhecimento produzido pelas universidades deverá apoiar a tomada de decisões sobre conservação e desenvolvimento económico.
Outro ponto discutido foi a necessidade de reforçar a qualificação profissional dos operadores turísticos. Segundo os participantes, a melhoria da qualidade dos serviços poderá aumentar a competitividade do turismo moçambicano.
O Governador de Inhambane, Francisco Pagula, afirmou que a realização da reunião na província reflecte o reconhecimento das suas potencialidades turísticas. “A escolha de Inhambane demonstra o elevado potencial turístico da província, sustentado pelas praias, biodiversidade marinha e crescente procura por destinos de natureza”, declarou.
Segundo Francisco Pagula, a província continua a afirmar-se como uma referência nacional no turismo costeiro e esse potencial deverá ser acompanhado por investimentos em infra-estruturas e serviços de apoio ao sector. Na sua perspectiva, o crescimento do turismo deverá produzir impactos positivos na economia local e melhorar as condições de vida das comunidades.
Os participantes concluíram que o desenvolvimento da Economia Azul depende de uma maior coordenação entre instituições públicas, sector privado e parceiros de desenvolvimento. E que o acesso ao financiamento deverá ocupar um lugar central nas políticas destinadas ao fortalecimento das pequenas e médias empresas.




