A campanha de comercialização do feijão bóer no distrito de Mecanhelas, província do Niassa, poderá render aos bolsos dos produtores um volume de negócios estimado em cerca de 278,3 milhões de meticais, este ano, resultado de uma produção de 12.100 toneladas reforçando assim a importância desta cultura para a economia local e para a melhoria das condições de vida das famílias.
As projecções das autoridades ligadas ao sector agrário daquela região da província do Niassa indicam que a presente campanha de comercialização de diferentes culturas alimentares decorre num ambiente favorável, impulsionado pelo aumento das áreas de produção, pelo interesse crescente dos mercados compradores e pelo envolvimento de pequenos agricultores que apostam no feijão bóer como uma das principais culturas de rendimento.
Neste momento para esta cultura alimentar já foram vendidas cerca de 9.400 toneladas, correspondentes a um volume de negócios de aproximadamente 216,2 milhões de meticais pagos directamente aos produtores.
Segundo o Director Distrital das Actividades Económicas de Mecanhelas, Dário Pedro, o cenário é encorajador e acredita que o alcance da meta antes do encerramento da campanha será satisfatório visto que os resultados reflectem o empenho dos produtores e o crescente interesse do mercado por esta cultura de rendimento.
“Já comercializámos cerca de 9.400 toneladas de feijão bóer, o que representa mais de 216 milhões de meticais pagos aos produtores. Acreditamos que vamos alcançar a meta de 12.100 toneladas e ultrapassar os 278 milhões de meticais em volume de negócios”, afirmou.
O dirigente assegurou que neste momento a campanha agrícola de comercialização nas comunidades decorre de forma organizada, garantindo que os produtores tenham acesso ao mercado e consigam vender a sua produção a preços competitivos.
“O comércio local está a dinamizar a economia das comunidades melhorando a vida das condições da população e outros serviços associados à actividade agrícola visto que as famílias conseguem comprar aquilo que precisam com dinheiro da venda desta cultura alimentar e que podemos considerar de rendimentos”, frisou a fonte.
Para o responsável do sector da agricultura, o feijão bóer continua a afirmar-se como uma cultura estratégica de segurança alimentar e o desenvolvimento da região devido à sua elevada procura tanto no mercado nacional como internacional sublinhando que a cultura adapta-se às condições climáticas da região e oferece uma alternativa de geração de rendimento para milhares de famílias rurais.
Num outro desenvolvimento o dirigente fez saber que a campanha agrícola foi igualmente favorável para a produção de arroz, aumentando as perspectivas de disponibilidade de alimentos ao longo do ano assegurando a confiança da existência de reservas de cereais no distrito.
“Temos ainda mais de 200 toneladas de milho armazenadas localmente, destinadas ao abastecimento da população nos períodos de maior procura e acreditamos que existem condições para garantir a segurança alimentar das famílias”, explicou Dário Pedro.
Em sequência, Dário Pedro apelou aos produtores a “comercializem de forma equilibrada, preservando parte da produção para o consumo familiar durante os períodos de maior escassez”.
“Comprei capulanas e guardei o resto”
Lurdes Xavier, agricultora da região reconhece que o feijão bóer é uma das principais fontes de rendimento, permitindo suportar despesas diarias e aquisição de insumos agrícolas para a próxima campanha. “Com aquilo que vendemos neste ano conseguimos ter dinheiro e compramos cadernos para meus filhos até comprei capulanas e o resto guardei em caso de alguma situação de emergência”, destacou.
Ussene Joaquim, também agricultor da região, disse estar “feliz com os preços [de comercialização] deste ano. Temos vantagens porque outra parte de produtos guardamos para semearmos na outra campanha e para não termos fome”, afirmou.
Com a campanha de comercialização a aproximar-se da meta estabelecida e o desempenho positivo observado tanto na agricultura como na pecuária, Mecanhelas reforça a sua posição como um dos principais polos de produção agrícola da província do Niassa, mantendo expectativas de crescimento da renda dos produtores e de consolidação da segurança alimentar das famílias.




