A falta de equipamentos adequados para conservação do pescado continua a ser um dos principais desafios enfrentados pelos vendedores de peixe na cidade de Pemba, provincia de Cabo Delgado. Dependentes de métodos tradicionais, como o uso de gelo, alguns comerciantes afirmam que são obrigados a vender o produto rapidamente por receio de deterioração e consequentes prejuízos financeiros.
A situação afecta sobretudo pequenos vendedores que não dispõem de câmaras frigoríficas ou congeladores com capacidade suficiente para manter o peixe conservado durante vários dias. Segundo os comerciantes, quando a procura reduz ou quando não conseguem escoar o produto no mesmo dia, aumentam as dificuldades para evitar perdas.
Para estes vendedores, o gelo, embora seja uma alternativa importante, não oferece uma solução definitiva, principalmente para quem precisa de conservar grandes quantidades de pescado por períodos prolongados.
Bahar Salimo, comerciante de peixe, explica que o método utilizado actualmente permite apenas uma conservação limitada, tornando difícil manter o produto por muitos dias. “Nós conservamos com gelo. Por muito tempo não. Se for acima de três dias ou quatro dias, já fica difícil”, lamenta.
Segundo o vendedor, a ausência de material de refrigeração limita a capacidade dos comerciantes de planear melhor a venda do pescado, uma vez que precisam encontrar compradores antes que o produto perca qualidade.
Salimo defende que a disponibilidade de congeladores poderia representar uma mudança significativa na actividade, permitindo maior segurança na conservação e reduzindo os riscos de perdas. “Se tivéssemos congelador, seria algo mais fácil conservar o peixe por mais tempo”, afirma.
O comerciante considera que melhores condições de armazenamento poderiam beneficiar não apenas os vendedores, mas também os consumidores, garantindo que o pescado chegasse ao mercado com maior qualidade e segurança.
Outro vendedor, Júnior Arivaldo Saide, relata que os momentos de maior dificuldade surgem quando o peixe não consegue ser vendido no mesmo dia, situação que pode resultar em perdas económicas para quem depende exclusivamente desta actividade. “Quando acontece esse tipo de cenário é muito difícil de lidar. Não conseguem conservar e vender no mesmo dia. Acaba se estragando e somos obrigados a doar às pessoas”, contou.
Segundo Saide, alguns comerciantes que possuem pequenos equipamentos de conservação conseguem prolongar um pouco mais o tempo de armazenamento, mas a capacidade limitada não responde às necessidades do negócio. “A pessoa que tem congelador leva o peixe para conservar, mas não é suficiente aquele espaço. Acaba por perder-se porque o peixe não foi comprado e depois estraga-se”, disse.
Os vendedores explicam que, perante a falta de alternativas, muitas vezes precisam reduzir o preço do pescado ou acelerar a venda para evitar prejuízos maiores. Para eles, perder peixe significa perder também parte do rendimento diário, numa actividade onde o lucro depende da comercialização rápida do produto.
A conservação do pescado continua, assim, a ser um dos maiores obstáculos enfrentados pelos pequenos comerciantes de peixe em Pemba. Enquanto não dispõem de meios adequados de refrigeração, os vendedores dizem continuar limitados pelo tempo, obrigados a encontrar compradores rapidamente para evitar que o produto se deteriore e transforme-se em prejuízo.
Para Bahar Salimo e Júnior Arivaldo Saide, a existência de congeladores com maior capacidade permitiria aos comerciantes conservar o peixe por mais tempo, reduzir as perdas e melhorar as condições de venda do pescado.






