A secretária de Estado das Artes e Cultura de Moçambique, Matilde Muocha, defendeu a criação de um modelo de financiamento dual para impulsionar o crescimento da economia criativa em África, tendo em conta a elevada informalidade e a predominância de micro e pequenas empresas no sector cultural e criativo do continente.
A posição foi apresentada durante o Fórum Global do Banco Mundial sobre Economia Criativa, realizado nos dias 28 e 29 de Abril, em Nairobi, no Quénia.
Intervindo no painel de abertura subordinado ao tema “O que são as Indústrias Culturais e Criativas e o que têm de especial: Que políticas são relevantes?”, Matilde Muocha defendeu que as políticas públicas africanas devem estar alinhadas à realidade actual do sector, marcada por baixos níveis de financiamento estruturado, informalidade e limitações de acesso ao mercado internacional.
Na ocasião, a governante propôs a implementação de duas linhas distintas de financiamento. A primeira, orientada para o estímulo à criação artística e preservação cultural, com foco no apoio directo aos criadores, artistas e iniciativas culturais emergentes. A segunda, direccionada para a escalabilidade dos negócios criativos, permitindo que produtos culturais africanos ultrapassem o nível das micro e pequenas empresas e consigam competir em mercados internacionais.
Segundo Matilde Muocha, o fortalecimento da economia criativa africana exige mecanismos financeiros capazes de responder simultaneamente às necessidades da produção cultural e à sustentabilidade económica das indústrias criativas.
O painel contou igualmente com a participação de Juni Zu, economista sénior do Banco Mundial e líder global de equipa, bem como de Sophie Nzinga Sy, directora da Agência de Desenvolvimento e Promoção de Artesanato do Senegal.
O Fórum Global do Banco Mundial sobre Economia Criativa reuniu representantes governamentais, artistas, investidores, especialistas e instituições financeiras ligadas às indústrias culturais e criativas, com o objectivo de discutir políticas públicas, financiamento e estratégias de desenvolvimento sustentável para o sector em África.
A participação da secretária de Estado das Artes e Cultura enquadra-se nas iniciativas que o Banco Mundial vem desenvolvendo em Moçambique no domínio da economia criativa, assim como na implementação da agenda do Governo moçambicano para a dinamização das indústrias culturais e criativas no país.








