A presença de resíduos sólidos acumulados em diferentes pontos da cidade de Maputo continua a inquietar munícipes desta urbe. Zonas como Zimpeto, Benfica e Polana Caniço “A”, entre os mais críticos, um fenómeno causado pela insuficiência de contentores, recolha irregular e deposição de lixo em lugares impróprios, o que contribui para a degradação do meio ambiente e dificuldades na mobilidade.
Por Tomás Pindela
Saímos às ruas da maior metrópole moçambicana para retratar um fenómeno que se vai enraizando entre os citadinos desta cidade e a gestão de resíduos sólidos. A ronda efectuada pela nossa equipa de reportagem constatou a existência de lixo espalhado pela berma da estrada, lixeiras improvisadas junto aos muros de vedação de residências e nas proximidades de mercados e paragens de semi-colectivos.
Vamos em partes, comecemos por um dos maiores centros comerciais da cidade de Maputo, o Mercado Grossista do Zimpeto, onde persistem problemas na gestão do lixo produzido diariamente por este mercado que chega a depender dos poucos contentores instalados nas proximidades da Vila Olímpica e do Cemitério Municipal de Kanwaxidjuko.
No Bairro do Zimpeto os moradores comprometidos com as boas práticas de higiene e saneamento do meio são obrigados a percorrer longas distâncias para depositar o lixo no local apropriado como é o caso de Bawito, um jovem citadino que explicou ao ISOCNews que este esforço é por vezes nulo com a demora na remoção do lixo porque o contentor disponível “não leva tempo para encher, e as pessoas acabam por deitar no chão”, explicou.
E a fadiga não está apenas em percorrer distâncias a procura de um contentor para depositar o lixo porque há quem tem um contentor por perto, entretanto a demora na remoção do lixo transforma este cenário num malefício a saúde porque tira a possibilidade de realizar actividades de lazer em frente às residências pelo mau cheiro que o lixo ao redor dos contentores emite.
Junto ao Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ) e à pista adjacente, observam-se resíduos acumulados. Jonas, um dos utentes da área, explicou que grande parte dos resíduos ali depositados provém dos frequentadores do mercado grossista. “É caótico, porque é aqui mesmo onde apanhamos chapas e muitas pessoas passam por este caminho. Isso pode contribuir para doenças respiratórias e até para a malária”, alertou.
Na mesma linha, Rangel Abílio, “modjeiro” e fiscal que trabalha em frente ao ENZ, criticou o descarte inadequado de resíduos e o facto de algumas pessoas utilizarem o local para satisfazer necessidades fisiológicas. A fonte manifestou ainda preocupação com o deposicao de águas residuais provenientes do processamento de frangos, sobretudo por se tratar de uma zona de grande circulação de pessoas e situada em frente a uma unidade hospitalar.
Alunos, moscas e vermes disputam o mesmo lugar na Polana Caniço “A”
Outra situação preocupante verifica-se na Escola Primária Polana Caniço “A”, onde a acumulação de resíduos sólidos tem afectado alunos e professores. No local, moradores, pais e encarregados de educação relatam que o lixo acumulado nas proximidades da escola favorece a presença constante de moscas e vermes, uma situação que interfere no ambiente escolar.
Dona Laura que vende lanches ao pé da Escola lamenta o facto do lixo estar a dificultar a mobilidade dos alunos principalmente em épocas chuvosas onde a probabilidade de apanhar doenças porque segundo ela “as crianças da escola brincam ali mesmo e isso pode lhes criar doenças”.
Os alunos entrevistados pelo ISOCNews disseram ser um desafio se concentrar na aula pelo mau cheiro que o lixo depositado ao pé da Escola provoca e a presença de insectos nas salas de aula.
Mau cheiro incomoda utentes na paragem de Benfica
Na paragem Benfica, ao longo da Estrada Nacional Número 1, passageiros e transportadores também se mostram preocupados com a acumulação de resíduos sólidos. No local, a combinação entre lixo espalhado, águas residuais e demora na recolha provoca odores intensos, afectando diariamente centenas de pessoas que utilizam a paragem.
Um transportador da rota Facim-Baixa chegou a afirmar que por causa do mau cheiro chegam a não parar no Benfica para angariar passageiros somente quando pedem paragem principalmente “quando faz calor, piora ainda mais”, relatou.
Já os utentes da paragem consideram a situação de maior risco para a saúde pública e defendem maior regularidade na recolha dos resíduos.
Uma oportunidade de rendimento em meio ao drama
A insuficiência de mecanismos formais de recolha abriu espaço para uma actividade informal exercida por jovens que, com recurso a carrinhas de mão, transportam resíduos mediante pagamento.
Um dos jovens envolvidos na actividade afirmou, em anonimato, que cobra 10 meticais por dia em cada estabelecimento para efectuar a recolha, confessando que “antes só tirava para uma senhora, mas depois outros também me pediram”.
Embora informal, a actividade tornou-se uma alternativa de rendimento para alguns jovens, ao mesmo tempo que procura responder às limitações existentes na gestão de resíduos sólidos em áreas de intensa actividade comercial.







