A Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), em Manica, está a levar a cabo uma iniciativa junto as comunidades rurais dos distritos de Mussorize, Sussudenga e Macossa de assistência técnica aos apicultores visando estimular o incremento na produção de mel nas comunidades.
Para dar seguimento a iniciativa um grupo de técnicos da CVM, estão neste momento a desenvolver acções de treinamento das comunidades abrangidas e desenvolvem igualmente o monitoramento apícola na comunidade de Madzungurusse, Posto Administrativo de Dacata, distrito de Mossurize, Munhinga em Sussudenga e Dunda em Macossa.
A iniciativa enquadra-se nos esforços daquela organização humanitária na promoção da apicultura como uma actividade sustentável e de geração de renda, o que vai impulsionar a melhoria das condições de vida das famílias beneficiárias.
O representante da CVM, Pedro Manuel Paulo, falando em entrevista, disse que a equipa técnica deste organismo, tem estado a avaliar o estado das colmeias, o desenvolvimento das colónias de abelhas e os níveis de produção alcançados pelos apicultores locais, durante o tempo de ensaio que compreende o momento após a capacitação.
“Constatamos que [os apicultores] estão a seguir as técnicas dadas durante o treinamento. E após a produção e recolha do mel eles vão vender e nós ajudamos na localização do cliente que vai passar a comprar que está na cidade de Chimoio, para revender no mercado formal, portanto pensamos que isso vai ajudar muito as comunidades na criação de geração de renda, esse é nosso objetivo”, disse o representante da CVM.
Paulo acrescenta que esta acção se alastra para outras dimensões, pois tem, de igual modo, o objetivo de incentivar a população a observar medidas de preservação do meio ambiente uma vez que nestas zonas é comum o abate de arvores para a produção de carvão vegetal, uma acção que contribui significativamente para a degradação do meio ambiente e consequentemente nos deixa vulneráveis às mudanças climáticas.
No entanto, o treinamento do grupo alvo, conta com especialistas da Universidade Eduardo Mondlane parceira da CVM, que permitiu igualmente uma interação directa com os apicultores, proporcionando a troca de experiências, bem como, a identificação dos principais desafios que afectam a produção apícola na região.
Entre os aspetos analisados destacam-se a gestão das colmeias, a proteção das abelhas contra factores adversos e a necessidade de reforço contínuo da capacitação técnica dos produtores.
Uma iniciativa que é bem-vinda
Já os beneficiários desta iniciativa enaltecem o apoio da Cruz Vermelha de Moçambique, afirmando que a produção de mel na região tem estado a contribuir na geração de renda.
Adriano Arnaldo Nbonda, de 40 anos de idade, contou que nos últimos quatro anos produzia carvão e vendia no valor de 150 meticais cada saco de 50kg, entretanto, a produção veio a reduzir porque é difícil encontrar arvores para o processo, por isso passou para a produção de mel.
“Agora esse serviço que fomos ensinados com a Cruz Vermelha, nós agradecemos muito mesmo. Podemos produzir muito o mel, ter dinheiro para ajudar a família e pessoa não sofre muito”, disse Nbonda sorrindo.
O mesmo sentimento foi manifestado por Manuel Rangarirai, de 37 anos de idade e pai de quatro filhos. Antes de engrenar na produção de mel, praticava a agricultura de subsistência, e contou que o que produzia na machamba servia, na maior parte, para alimentar a sua família diferentemente da produção do mel.
“Com essa formação aprendi como produzir mel, esta será a segunda vez, e estou a ver que vale a pena mesmo, porque é possível conseguir dinheiro e fazer algumas coisas que antes não conseguia fazer. Assim em Outubro ou Novembro, quero fabricar tijolos para fazer minha casa, por isso agradecemos a Cruz Vermelha”, disse Rangarirai enaltecendo a iniciativa.
De acordo a CVM, o acompanhamento regular das actividades apícolas é fundamental para garantir a sustentabilidade dos projectos implementados e assegurar que os beneficiários obtenham melhores resultados económicos através da produção de mel.
A apicultura tem vindo a afirmar-se como uma importante alternativa de subsistência para muitas famílias do distrito de Mossurize, contribuindo para a diversificação das fontes de rendimento e para o fortalecimento da resiliência comunitária.
A CVM reafirma, deste modo, o seu compromisso de continuar a apoiar os apicultores locais por meio de acções de monitoramento, capacitação e assistência técnica especializada. (Lázaro Francisco)







