A deposição indiscriminada de resíduos sólidos nas valas de drenagem no bairro Paquitequete, na cidade de Pemba, continua a comprometer o saneamento do meio e a agravar os riscos de inundações durante a época chuvosa. Apesar das sucessivas campanhas de limpeza realizadas pela edilidade e por organizações da sociedade civil, as valas voltam a ficar repletas de lixo poucos dias após as intervenções.
Durante uma visita ao bairro, a nossa reportagem constatou que várias valas de drenagem encontram-se novamente obstruídas por sacos plásticos, garrafas, restos de alimentos e outros resíduos domésticos. Em alguns pontos, foi igualmente observada a descarga de águas residuais para o interior das valas, uma prática que contribui para a degradação do ambiente e aumenta os riscos para a saúde pública.
Moradores ouvidos pela nossa reportagem reconhecem que o problema continua a persistir e apontam diferentes razões para a deposição de lixo nas valas. Alguns afirmam que a inexistência ou distância dos locais apropriados para o descarte de resíduos leva parte da população a utilizar as infra-estruturas de drenagem como alternativa. Outros referem que algumas crianças e até adultos continuam a lançar lixo e águas sujas para as valas, mesmo depois das campanhas de sensibilização promovidas no bairro.
Fátima Momade é residente do Bairro de paquite e relata que “as vezes pela distância algumas pessoas acabam deitando o lixo aqui”. Outro morador, Abudo Saide, aponta como causa a fraca consciencialização da comunidade.
“As vezes chegam pessoas aqui fazem limpeza, mas mesmo assim os residentes continuam a deitar acho que devem tomar medidas para cada pessoa saiba, que deitar lixo nas valas de drenagem, não está certo e nos prejudica”, disse.
Para o ambientalista Fitina Gomes, o problema já ultrapassou a simples falta de limpeza e está relacionado com a necessidade de reforçar a educação ambiental e a responsabilização da comunidade.
Segundo o activista Ambiental diversas associações têm desenvolvido acções de sensibilização junto da população, mas os resultados ainda estão aquém do esperado devido à persistência de comportamentos inadequados.
“Acho que a consciencialização já foi feita. Muitas associações passaram por aquele bairro para sensibilizar a comunidade a não deitar lixo nas valas de drenagem. No entanto, basta visitar Paquitequete para perceber que ainda existe muito lixo acumulado e até casos de defecação nesses locais”, afirma Gomes.
O ambientalista explica que a remoção dos resíduos exige condições adequadas de segurança para proteger os voluntários envolvidos nas campanhas de limpeza. “Para um activista ou grupo de activistas fazer a limpeza naquele local é necessário equipamento apropriado, porque o contacto directo com aqueles resíduos também representa riscos para a saúde” afirmou.
Na sua perspectiva, a falta de consciência sobre as consequências ambientais e sanitárias continua a ser um dos principais desafios enfrentados pelas autoridades e pelas organizações comunitárias.
“A comunidade ainda não percebe totalmente os impactos que este comportamento pode trazer para a sua própria vida. Existem casas junto às valas e, quando chove, o lixo acaba por invadir os quintais dessas famílias. Trata-se de um problema muito grave”, disse o activista.
O activista defende igualmente a adopção de medidas mais firmes por parte das autoridades municipais, combinando fiscalização, políticas públicas e campanhas permanentes de educação ambiental.
“O município pode criar políticas públicas que impeçam as pessoas de deitar lixo nas valas de drenagem e, ao mesmo tempo, incentivar a população a participar nas campanhas de limpeza. Em muitos locais a água já nem consegue circular porque as valas estão bloqueadas pelos resíduos”, lamentou.
Na sua opinião, a obstrução das valas está directamente associada às inundações registadas em alguns pontos do bairro e ao aumento dos riscos para a saúde pública. “Quando a água deixa de escoar normalmente, os resíduos acabam por entrar nos quintais das famílias e criam condições para a propagação de doenças. Isto é um atentado à saúde pública”, afirmou o activista.
Enquanto isso, moradores de Paquitequete defendem o reforço das campanhas de sensibilização e a criação de melhores condições para a deposição de resíduos sólidos. A população considera que a preservação das valas de drenagem depende não apenas da intervenção das autoridades, mas também da mudança de comportamento da própria comunidade, para evitar que os esforços de limpeza sejam continuamente comprometidos




