O Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC) em Gaza, lançou recentemente cerca de 255 formandos no mercado de trabalho, porém a província de Gaza continua com elevado índice de desemprego, pelo que os recém-formados deverão adoptar mecanismos para superar esta défice através do empreendedorismo.
A conclusão de uma formação profissional deveria representar o início de uma nova etapa para quem procura entrar no mercado de trabalho. Em Gaza, porém, a saída de 255 formandos do IFPELAC representa uma questão que continua a afectar milhares de jovens, afinal “depois da formação, onde estão as oportunidades de emprego?”
Os novos profissionais concluíram recentemente o primeiro ciclo de formação profissional do IFPELAC, numa cerimónia realizada no distrito de Chongoene. Do total de graduados, 198 são mulheres e 57 homens. Mais do que encerrar um ciclo de formação, a cerimónia lançou para o mercado de trabalho jovens com habilidades que agora procuram transformar competências adquiridas em oportunidades concretas de emprego.
Durante a cerimónia, o Secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto, defendeu que “a formação profissional é bastante importante para responder aos desafios do desenvolvimento e encorajamos os graduados a procurarem oportunidades e mecanismos de financiamento para concretizar os seus projectos”. O apelo traduz um dos principais desafios enfrentados pelos jovens depois da formação, pois pode possuir conhecimentos técnicos, mas não dispor necessariamente de capital, equipamentos ou oportunidades para iniciar uma actividade.
De acordo com alguns recém-formados ouvidos pela nossa reportagem, a formação representa uma oportunidade para criar alternativas ao emprego formal. Os jovens afirmam pretender utilizar os conhecimentos adquiridos para desenvolver iniciativas próprias, inovar e criar oportunidades de trabalho nas suas comunidades.
Quando a formação termina
É que a conclusão de um curso não garante automaticamente a entrada no mercado de trabalho. Para um jovem formado, para encontrar emprego, primeiro deverão existir empresas capazes de recrutar estes novos profissionais, da experiência exigida pelos empregadores e, sobretudo para quem pretende trabalhar por conta própria, do acesso a financiamento ou outros mecanismos necessários para iniciar a actividade.
Por sua vez, a directora do Serviço Provincial de Assuntos Sociais, Telma Nhantumbo, destacou a necessidade de que “a formação não deve limitar-se à transmissão de conhecimentos técnicos, mas preparar pessoas capazes de transformar aquilo que aprenderam em iniciativas concretas”.
Nhantumbo defendeu uma formação capaz de contribuir para o crescimento socioeconómico da província. Sem emprego, o empreendedorismo surge como uma iniciativa para reduzir a taxa de desemprego pelos que os recém-formados defendem a continuidade das iniciativas de formação profissional e a criação de mais oportunidades para os jovens.
O desafio para as mulheres
Lembra-se que dos 255 graduados deste primeiro ciclo, 198 são mulheres, correspondendo à maioria dos formandos. O número mostra uma participação abrangente das mulheres na formação profissional e coloca também a questão sobre a sua inserção económica depois da formação. Insta salientar que a participação feminina na formação constitui um passo importante.
Entretanto, nas comunidades onde as oportunidades de emprego são limitadas, a formação profissional pode representar para ala feminina uma porta para a independência económica. No entanto, o acesso ao financiamento, aos equipamentos e aos mercados continua a ser determinante para que essa possibilidade se concretize.
Durante a cerimónia de encerramento, os formandos apresentaram trabalhos e demonstraram habilidades desenvolvidas ao longo da formação. A exposição mostrou que os jovens não terminam apenas com certificados. Saem com conhecimentos que podem ser aplicados em diferentes actividades económicas.
O desafio está agora em saber quantos desses conhecimentos chegarão efectivamente ao mercado. “Uma formação profissional produz resultados mais visíveis quando que estudou consegue aplicar aquilo que aprendeu, seja através de um emprego, de um negócio próprio ou da prestação de serviços na comunidade” disse Raquel João, uma das recém-formadas.
A cerimónia decorreu em Chongoene e encerrou o primeiro ciclo de formação, mas abriu uma nova etapa para os 255 jovens e diz-se esta etapa mais difícil. Procurar emprego, criar uma actividade ou encontrar meios para colocar em prática aquilo que aprenderam. Vale ressaltar que para os 255 novos profissionais, o certificado representa o fim da formação. Para o mercado de trabalho, representa o início duma nova era.




