Cerca de 1.900 alunos do distrito de Lichinga, deixam de assistir às aulas sentados no chão, na sequência da entrega de um total de 332 carteiras escolares a oito estabelecimentos de ensino, localizados arredores daquela divisão administrativa, capital da província de Niassa, cuja iniciativa representa um passo importante na melhoria das condições de aprendizagem, sobretudo para os alunos que, até então, enfrentavam diariamente o desconforto de acompanhar as aulas sem mobiliário adequado.
Parte significativa das 332 carteiras entregues recentemente aos gestores escolares pelo Administrador do Distrito de Lichinga, David Machimbuko, 207 resultam de um processo de recuperação, uma solução que permitiu transformar materiais disponíveis em recursos úteis para as escolas, acto inserido no âmbito de um processo que contou com a colaboração da Delegação Provincial da Agência Nacional para Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA) do Niassa, que cedeu parte das tábuas utilizadas na sua recuperação e as restantes 125 carteiras são novas, tendo sido disponibilizadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), através da Direcção Provincial de Educação (DPE).
Durante a cerimónia de entrega, o Administrador do Distrito de Lichinga, David Machimbuko, avançou que o lote vai beneficiar as escolas básicas nomeadamente, 3 de Fevereiro, Mbambala, Sanjala, Amílcar Cabral e Cerâmica, as escolas primárias de Naluila e Naossa, bem como a Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, um material que segundo ele representa uma mudança significativa para os alunos beneficiários, uma vez que antes da intervenção, parte dos alunos eram obrigados a acompanhar as aulas sentados no chão, situação que dificultava a concentração, a escrita e o acompanhamento das matérias leccionadas.
Aliás, o dirigente entende que a entrega das carteiras às escolas, o silêncio das salas de aulas, tantas vezes interrompido pelo arrastar de bancos improvisados e pelo desconforto de quem se senta no chão, poderá dar lugar a uma nova realidade no distrito de Lichinga, visto que as carteiras representam, para milhares de alunos, uma espécie de ponte entre o desejo de aprender e as condições necessárias para transformar melhores condições para escrever, ler, prestar atenção e sonhar com um futuro diferente.
“Este acto simboliza um momento em que a melhoria das condições de aprendizagem continua a ser uma das prioridades do governo e do sector da Educação, a falta de mobiliário constitui um obstáculo silencioso, mas com consequências visíveis no quotidiano dos alunos e professores”, avançou o dirigente.
Por outro lado, David Machimbuko destacou que a conservação dos bens públicos hora entregue deve ser uma responsabilidade colectiva, defendendo que o investimento feito na melhoria das condições escolares só produzirá resultados duradouros se houver cuidado por parte dos beneficiários.
“Temos de garantir que estes meios sejam devidamente conservados. Queremos que outros alunos, no futuro, possam encontrar estas carteiras e continuar a beneficiar delas”, sublinhou o dirigente numa altura em que cada carteira recuperada ou instalada significa mais uma oportunidade para um aluno acompanhar a aula em melhores condições e apelou igualmente à comunidade escolar para assumir a responsabilidade pela conservação do mobiliário.
“É importante que a comunidade escolar cuide das carteiras que hoje estamos a entregar, porque elas devem servir não apenas os alunos de hoje, mas também as futuras gerações”, apelou Machimbuko.
Por seu turno a Delegada Provincial da AQUA no Niassa, Alice Mapondo, destacou a importância da colaboração entre as instituições para responder aos desafios que afectam as comunidades. “A nossa participação demonstra que, quando trabalhamos em conjunto, podemos encontrar soluções para problemas que afectam directamente as nossas comunidades, neste caso concreto, os alunos”, afirmou Mapondo.
Na ocasião o Director dos Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia de Lichinga, Jorge Eugénio Minar, considera que a entrega de carteiras representa uma contribuição concreta para a melhoria das condições de ensino, permitindo reduzir gradualmente o défice de mobiliário escolar e proporcionar aos alunos um ambiente mais adequado para a aprendizagem.
“A disponibilização destas carteiras vão permitir que mais alunos tenham melhores condições para acompanhar as aulas, contribuindo igualmente para a criação de um ambiente escolar mais adequado ao processo de ensino e aprendizagem”, referiu Minar.
Por outro lado, Minar explicou, mas sem avançar com os números do défice de carteiras, que o sector que dirige tem vindo a desenvolver esforços para responder às necessidades das escolas, através da mobilização de recursos e da procura de soluções que permitam melhorar as condições de funcionamento das instituições de ensino.
“A falta de carteiras é uma realidade que ainda enfrentamos em algumas escolas”, reconheceu o dirigente destacando que, apesar dos constrangimentos existentes, “o sector continuará empenhado em identificar as escolas com maiores necessidades e encaminhar os recursos disponíveis para os locais onde são mais necessários”, afirmou Minar.
Já os alunos que participaram na cerimónia não esconderam a satisfação. Alegria Joaquim e Juvêncio Milagre visivelmente alegres, agradeceram pela iniciativa dando a importância das novas condições para o aproveitamento escolar.
“Quando sentávamos no chão, às vezes era difícil escrever e prestar atenção durante muito tempo. Com as carteiras, esperamos estudar melhor e ter melhores resultados”, afirmou Alegria Joaquim, ao passo que Juvêncio Milagre comprometeu-se a cuidar das carteiras recebidas. “Estamos muito felizes porque agora teremos carteiras para estudar melhor. Vamos cuidar delas para que outros alunos também possam usá-las”, disse Milagre.
A intervenção conjunta das instituições envolvidas demonstra igualmente que a melhoria da Educação exige o envolvimento de vários actores. Governo, parceiros, escolas, professores, alunos, pais e comunidades têm um papel a desempenhar na construção de um sistema de ensino com melhores condições.




