Prova reuniu atletas nacionais e estrangeiros numa celebração marcada por competição, superação e promoção do ciclismo. O ciclismo moçambicano continua a dar sinais de crescimento e afirmação, num momento em que jovens atletas e dirigentes procuram devolver visibilidade a uma modalidade que durante anos enfrentou períodos de pouca actividade. A prática do ciclismo, além de promover saúde física e mental, surge também como uma ferramenta de inclusão, disciplina e incentivo ao desporto competitivo no país.
Foi neste ambiente de valorização da modalidade que decorreu a corrida “Rápida de Bela Vista”, uma prova que reuniu ciclistas masculinos e femininos numa jornada marcada por adrenalina, espírito competitivo e desejo de superação. A concentração teve lugar na vila de Bela Vista, enquanto a partida e a chegada aconteceram no cruzamento de Boane.
A competição contou com duas categorias, nomeadamente a elite de 120 quilómetros e a categoria normal de 70 quilómetros. Entre os participantes, alguns procuravam subir ao pódio, enquanto outros tinham apenas como objectivo concluir o itinerário, considerado exigente devido ao vento forte registado ao longo do percurso.
Organização destaca evolução do ciclismo no país
O evento foi dirigido pelo vice-presidente da Federação Moçambicana de Ciclismo, Yazid Imran, acompanhado pela sua equipa técnica. A prova contou igualmente com carros e motorizadas de apoio e fiscalização, além de uma sessão fotográfica em movimento que acompanhou os atletas durante o percurso.
Segundo Yazid Imran, o ciclismo moçambicano atravessa actualmente uma fase de evolução, impulsionada por uma nova geração de dirigentes e atletas determinados em desenvolver a modalidade. “O ciclismo moçambicano é um desporto que está em evolução. Tivemos um bom empulsionamento nos anos passados, embora tenha existido um pequeno período de dormência. Somos uma equipa jovem, com vontade de trabalhar, e acreditamos que este desporto promete muito daqui para frente”, afirmou.
O dirigente reconheceu ainda que a realização da corrida enfrentou desafios relacionados com a crise de combustível vivida recentemente no país, mas destacou a capacidade organizativa da equipa. “As dificuldades existem como em qualquer área da vida, mas temos uma equipa jovem apta para criar soluções e não ficar apenas focada nos problemas”, acrescentou.
Yazid Imran destacou igualmente que uma das principais barreiras para o crescimento do ciclismo continua a ser o custo elevado das bicicletas e equipamentos. Segundo explicou, a federação está a trabalhar com entidades internacionais para conseguir doações de bicicletas e materiais, com o objectivo de incentivar a participação de jovens atletas.
Entre o vento e a vontade de vencer
A corrida foi marcada por momentos de intensa disputa, sobretudo devido às condições climatéricas. O vento forte obrigou os atletas a gerir esforço, estratégia e resistência física ao longo do percurso.
O jovem ciclista Arvin Abdelmassih, de apenas 16 anos, destacou-se ao conquistar o primeiro lugar numa das categorias da prova, naquela que foi a sua estreia em competições de ciclismo. “Estou orgulhoso por ter ganho o primeiro lugar. É a minha primeira corrida de ciclismo. Uma das principais dificuldades que tive foi o vento e alguns problemas técnicos na bicicleta, mas consegui concluir e vencer a prova”, contou.
Já Ivan Lourenço, vencedor da categoria elite dos 120 quilómetros, afirmou que a vitória foi fruto de treino, dedicação e de uma estratégia bem definida desde os primeiros quilómetros. “Foi uma prova muito dura, mas o resultado veio. Eu e o meu colega Papilon atacámos logo aos cinco quilómetros e depois foi gerir o esforço até ao final. É a minha primeira vitória no ciclismo de estrada e acredito que o ciclismo moçambicano está num bom caminho”, afirmou. Ivan Lourenço defendeu ainda a necessidade de mais iniciativas do género para incentivar jovens atletas a aderirem à modalidade.
Participação feminina continua reduzida
Na categoria feminina dos 70 quilómetros, a vencedora foi Jena Sauji, da equipa 247, que descreveu a conquista como recompensa pelos esforços feitos durante os treinos. “É uma sensação de realização, um retorno pelas manhãs perdidas de treino. Tentei sempre manter-me protegida do vento no pelotão e dar o máximo mais do que as outras meninas”, explicou.
Apesar da vitória, Jena lamentou a fraca adesão feminina ao ciclismo moçambicano, embora reconheça que existem esforços para atrair mais mulheres para a modalidade. “Infelizmente ainda há poucas meninas a pedalar, mas estamos a tentar puxar mais mulheres para o ciclismo”, disse. A corrida contou igualmente com a presença de atletas estrangeiros, entre eles Samkeliso Mnisi, que participou pela primeira vez numa prova em Moçambique.
O ciclista afirmou ter encontrado dificuldades devido às características do percurso, marcadas por extensas planícies e vento forte, diferentes das montanhas do seu país. “Foi uma corrida muito difícil por causa do vento forte. Em Swazi estamos mais habituados às montanhas e aqui encontrei poucas subidas significativas, o que dificultou fechar alguns espaços durante a corrida”, explicou. Apesar das dificuldades, Samkeliso Mnisi elogiou a hospitalidade moçambicana e afirmou ter gostado da experiência vivida no país.
Entrega de taças marcou encerramento da prova
O encerramento da “Rápida de Bela Vista” ficou marcado pela entrega de diplomas de mérito à equipa técnica responsável pela organização do evento, seguida da atribuição de taças aos vencedores da edição, e entre os distinguidos com um diploma de mérito pelo seu contributo e dedicação no desenvolvimento da modalidade, estava Beto Cumbe, mais conhecido no meio ciclístico por Betinho Bikes (BBK), uma das figuras sonantes do ciclismo moçambicano, que juntou-se à equipa técnica dessa edição e auxiliou na coordenação de diversas actividades ao longo da corrida.
Entre aplausos, fotografias e celebrações, a prova terminou deixando sinais positivos para o futuro do ciclismo moçambicano, numa altura em que atletas, dirigentes e simpatizantes defendem maior investimento e continuidade de iniciativas desportivas para fortalecer a modalidade no país. (Celso Chinai)








