Os vendedores do Mercado Grossista do Zimpeto, na cidade de Maputo, afirmam estar a enfrentar uma das fases mais difíceis dos últimos anos, marcada pela redução acentuada do número de clientes e pelo aumento das perdas de produtos, sobretudo alimentos perecíveis.
A situação preocupa centenas de comerciantes que dependem diariamente do movimento do mercado para garantir o sustento das suas famílias.
Em entrevista a nossa equipa de reportagem, o presidente dos Mukeristas, Sudecar Novela, descreveu um cenário de vendas fracas e crescente incerteza entre os operadores.
Segundo o responsável, a redução da procura tem provocado prejuízos significativos, particularmente para os vendedores de frutas, hortícolas e outros produtos com prazo limitado de conservação.
Novela explicou que muitos comerciantes estão a regressar a casa sem conseguir vender o suficiente para recuperar o valor investido na aquisição das mercadorias. “O movimento caiu muito. Há colegas que passam o dia inteiro sem conseguir vender aquilo que costumavam vender numa única manhã” , afirmou.
De acordo com o presidente dos mukeristas , a quebra da procura começou a tornar-se mais evidente nos últimos meses onde “o número de compradores de forma preocupante e isso está a afectar directamente o rendimento das famílias que vivem do comércio” .
O responsável acrescentou que diversos produtos acabam por se deteriorar antes de serem comercializados. Entre os produtos mais afectados estão o tomate, a cebola, a batata, as frutas e alguns produtos frescos trazidos de diferentes regiões do país.
Os vendedores relatam que a redução das vendas está a obrigar muitos comerciantes a diminuir os volumes de compra junto dos fornecedores. Uma situação que tem repercussões em toda a cadeia de abastecimento, desde os produtores agrícolas até aos transportadores.
Para muitos operadores, o actual contexto económico está a reduzir drasticamente o poder de compra dos consumidores. Segundo os comerciantes, os clientes continuam a visitar o mercado, mas compram quantidades cada vez menores.
O dirigente considera que a situação exige atenção das autoridades competentes. “Precisamos de medidas que ajudem a dinamizar a economia e a recuperar a capacidade de compra das famílias”, defendeu.
Novela observou ainda que a sobrevivência de muitos pequenos comerciantes depende diretamente da recuperação do consumo. “Quando o cliente deixa de comprar, toda a cadeia sofre. O comerciante perde, o produtor perde e a economia também perde” , declarou.
A redução da procura ocorre numa altura em que diversos produtos continuam a apresentar custos elevados de transporte e distribuição.
O fenómeno está a ser sentido não apenas no Mercado do Zimpeto, mas também em outros centros de comercialização da região sul do país. Especialistas apontam que a desaceleração do consumo está associada à pressão crescente sobre os orçamentos familiares.
O presidente da Associação de Defesa do Consumidor, Bastione Majior, entende que a situação resulta, em grande medida, da subida dos preços dos combustíveis. Segundo o responsável, o aumento dos custos dos combustíveis tem impacto directo em praticamente todos os sectores da economia.
“A subida dos combustíveis acaba por reflectir-se nos preços dos bens e serviços consumidos diariamente pelos moçambicanos”, afirmou.
Importante considerar que o efeito acumulado desses aumentos está reduzindo a capacidade financeira das famílias. “Hoje muitas famílias precisam de escolher entre diferentes despesas essenciais porque o rendimento disponível já não é suficiente para cobrir todas as necessidades” , explicou.
O presidente da associação entende que o actual contexto económico está a afectar simultaneamente consumidores e comerciantes. “Os consumidores compram menos porque têm menos recursos e os vendedores vendem menos porque a procura diminuem” , comenta.
É importante considerar que esta dinâmica gera um ciclo de dificuldades para diferentes setores econômicos. “Estamos perante uma situação em que todos os intervenientes da cadeia comercial acabam por sentir os efeitos do aumento dos custos” , afirmou.
O responsável defende a adoção de medidas destinadas a mitigar o impacto do encarecimento do custo de vida. Enquanto isso, os comerciantes do Mercado do Zimpeto enfrentam dificuldades diárias para escoar os seus produtos.
Apesar das dificuldades, os operadores mantêm a esperança de uma recuperação gradual do movimento comercial. “O mercado sempre foi um ponto de grande procura e concluímos que os clientes voltarão quando a situação econômica melhorar” , afirmou Novela.
O presidente dos mukeristas considera que a retoma do consumo será determinante para a sustentabilidade de milhares de pequenos negócios.
Entretanto, a combinação entre a redução da procura, o aumento dos custos operacionais e as perdas de produtos continua a representar um desafio significativo para os vendedores do maior mercado grossista do país.
Os operadores alertam que, sem uma melhoria das condições económicas, muitos comerciantes poderão enfrentar dificuldades ainda maiores nos próximos meses, comprometendo a sua actividade e a geração de rendimento para milhares de famílias moçambicanas.








