Numa altura em que a falta de capital continua a limitar a expansão e investimento produtivo do tecido empresarial no país, Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), a Câmara de Comércio de Moçambique Investimentos (CCMI) e o Banco Nacional de Investimentos (BNI), estão a criar mecanismos de facilitação e acesso ao financiamento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) para o seu funcionamento.
O entendimento foi consolidado durante um encontro realizado em Maputo, no qual as três instituições analisaram soluções para reduzir a dificuldade no acesso ao crédito em condições compatíveis com a realidade das pequenas empresas na qual são exigidas garantias que muitas não conseguem apresentar junto da banca comercial.
Foi neste contexto que a CCM e o BNI decidiram reforçar a cooperação institucional, com enfoque na criação de instrumentos financeiros mais inclusivos e ajustados ao perfil das pequenas e médias empresas.
Na ocasião, o presidente da Câmara de Comércio de Moçambique, Lucas Chachine, apresentou a estrutura organizacional do mandato 2026-2029, sublinhando que a nova direcção vai apostar no reforço da produção nacional, na industrialização e na valorização das cadeias de valor.
Segundo Chachine, o objectivo passa por criar condições para que as empresas aumentem a capacidade produtiva, melhorem a qualidade dos produtos e ganhem maior competitividade no mercado interno e externo.
A fonte defendeu que o desenvolvimento económico depende da existência de um sistema financeiro mais aberto ao investimento produtivo, capaz de acompanhar o crescimento do sector privado.
A estratégia da CCM inclui ainda a promoção da transformação local da matéria-prima, reduzindo a exportação de produtos sem processamento e aumentando o valor acrescentado dentro do país, um caminho que, segundo o dirigente, vai permitir a aceleração do processo de industrialização e criação de mais oportunidades de emprego, sobretudo para jovens e pequenas empresas.
O Banco Nacional de Investimentos manifestou abertura para apoiar esta agenda, reconhecendo que o financiamento às MPME exige novas abordagens para além dos modelos tradicionais de crédito.
O Administrador Executivo do BNI, Edson Mangunhane, felicitou a nova direcção da CCM e destacou a importância de aprofundar a cooperação entre as instituições para dinamizar o sector empresarial.
“O desafio é transformar ideias viáveis em projectos financiáveis”, afirmou Mangunhane, sublinhando a necessidade de criar mecanismos de garantia que reduzam o risco das operações financeiras.
Segundo explicou, muitas empresas ficam excluídas do crédito não por falta de viabilidade dos seus projectos, mas pela incapacidade de cumprir requisitos bancários tradicionais, por isso, o BNI pretende trabalhar com a CCM na estruturação de projectos e na criação de mecanismos de garantia que facilitem o acesso ao financiamento.
A instituição quer igualmente mobilizar parceiros para alargar as fontes de crédito destinadas a sectores estratégicos como agricultura, agronegócio e empreendedorismo. “Queremos trabalhar com a CCM na estruturação de projectos das PME e na criação de mecanismos de garantia, porque muitas empresas têm projectos viáveis, mas não conseguem responder às exigências tradicionais da banca comercial”, afirmou o administrador executivo.
A proposta foi bem acolhida pela Câmara de Comércio de Moçambique Investimentos, cujo presidente do Conselho de Administração, Thani Cabir, defendeu a necessidade de reforçar a preparação técnica das empresas, sobretudo na elaboração de planos de negócio e gestão empresarial.
Segundo o responsável, empresas mais organizadas e bem estruturadas têm maior probabilidade de atrair investimento e consolidar a sua presença no mercado.
Por seu turno, Lucas Chachine revelou ainda a existência de parceiros interessados em apoiar modelos cooperativos de produção, considerados fundamentais para dinamizar a economia local iniciativas que podem facilitar a integração de pequenos produtores nas cadeias formais de valor e reforçar a produção nacional.
Durante o encontro, foi destacada a necessidade de criar mecanismos mais flexíveis que permitam apoiar projectos com potencial económico, mesmo quando não cumprem todos os requisitos tradicionais da banca. Como resultado, a CCM e o BNI acordaram a criação de um comité de trabalho responsável por estruturar um plano conjunto de apoio às MPME.
O grupo terá como missão identificar fontes de financiamento, definir prioridades e propor mecanismos de garantia adaptados à realidade das pequenas empresas. A expectativa é que este entendimento contribua para reduzir as dificuldades de acesso ao crédito, estimular o investimento privado e reforçar a competitividade da economia nacional.
Caso seja implementado com sucesso, o modelo de cooperação poderá representar um passo decisivo na construção de um sistema financeiro mais inclusivo e orientado para o desenvolvimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas em Moçambique.






