A Inspecção Geral do Trabalho (IGT) em Gaza só no primeiro semestre de 2026, registou 79 acidentes envolvendo 296 trabalhadores, dos quais 109 mulheres. Os dados revelam que, para além das perdas humanas e económicas, centenas de famílias continuam a enfrentar as consequências de acidentes que, em muitos casos, poderiam ser evitados através do cumprimento rigoroso das normas de segurança e saúde ocupacional.
Estes números foram apresentados na cidade de Xai-Xai, durante a abertura do XI Conselho Consultivo da Inspecção Geral do Trabalho, encontro que reuniu responsáveis do sector para avaliar o desempenho da instituição e definir estratégias para reforçar a fiscalização em todo o país.
Ao longo do seu discurso, o Secretário de Estado do Género, Criança e Acção Social, Abdul Ismael, revelou que “dos 296 trabalhadores afectados, 136 sofreram incapacidade temporária, 54 ficaram com incapacidade permanente parcial e 106 com incapacidade permanente total”
Para Ismael, os dados devem servir de alerta para todos os intervenientes no mundo laboral, desde empregadores e trabalhadores até às entidades fiscalizadoras. Segundo avançou, cada acidente representa muito mais do que um simples número estatístico. “Por detrás de cada acidente existe uma pessoa, uma família e, muitas vezes, uma vida profundamente transformada”, afirmou.
O dirigente defendeu que a prevenção deve passar a ocupar um lugar central nas políticas de gestão das empresas, através do cumprimento rigoroso das normas de segurança, da disponibilização de equipamentos de protecção individual e da formação contínua dos trabalhadores.
Na mesma ocasião, Abdul Ismael apelou ao reforço da fiscalização por parte da Inspecção Geral do Trabalho, defendendo igualmente o acompanhamento permanente das recomendações emitidas pelos inspectores e a aplicação de sanções às entidades que insistem em violar a legislação laboral.
Segundo explicou, “a responsabilização das empresas constitui um dos mecanismos fundamentais para reduzir a reincidência das infracções e criar ambientes laborais mais seguros”.
Também esteve presente no encontro, o Secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto, que considerou que o XI Conselho Consultivo representa uma oportunidade para fortalecer a capacidade institucional da Inspecção Geral do Trabalho.
Na sua intervenção, Neto defendeu que “o país precisa de consolidar uma cultura de prevenção dos acidentes laborais, apostando numa fiscalização mais eficaz e numa maior consciencialização das entidades empregadoras”. Para Jaime Neto, ambientes de trabalho seguros traduzem-se igualmente em maior produtividade, melhor qualidade dos serviços e maior protecção da força de trabalho nacional.
Insta salientar que a realização do Conselho Consultivo decorre numa altura em que diversos sectores económicos continuam a enfrentar desafios relacionados com o cumprimento das normas de segurança e saúde ocupacional, sobretudo em actividades consideradas de maior risco, como construção civil, indústria transformadora, mineração, agricultura e transportes.
Entretanto além do impacto físico, os acidentes de trabalho têm muitas das vezes provocado consequências económicas e sociais significativas. Outrossim, trabalhadores incapacitados deixam temporária ou definitivamente de exercer as suas actividades, reduzindo o rendimento familiar.
Contudo, durante os dois dias de trabalhos, os participantes do XI Conselho Consultivo deverão avaliar o desempenho da Inspecção Geral do Trabalho no primeiro semestre de 2026, identificar os principais desafios da instituição e definir novas estratégias destinadas a reforçar a fiscalização e promover melhores condições de segurança e saúde nos locais de trabalho em todo o território nacional.
Com quase trezentos trabalhadores afectados em apenas seis meses, as autoridades ouvidas pela nossa reportagem reconhecem que a prevenção continua a ser o caminho mais eficaz para reduzir a sinistralidade laboral e proteger um dos recursos mais importantes do país. o capital humano.




