Os passageiros que utilizam transporte semi-colectivo nas ligações inter-distritais da província de Gaza passam a pagar mais caro pelas viagens a partir desta semana, após a aprovação de um aumento de 35% nas tarifas praticadas pelos operadores.
A medida, foi aprovada por unanimidade durante a IV Sessão Ordinária da Assembleia Provincial de Gaza, e surge num momento marcado pela subida dos preços dos combustíveis e pelo aumento dos custos operacionais enfrentados pelos próprios transportadores. Segundo as autoridades da província, o reajuste visa garantir a continuidade dos serviços de transporte e evitar novas paralisações que, nos últimos meses, afectaram a mobilidade de milhares de passageiros em vários pontos da província.
Durante a sessão da Assembleia Provincial, a Governadora de Gaza, Margarida Mapandzene Chongo, explicou que “a revisão tarifária está associada à actual conjuntura económica internacional, que tem provocado sucessivos aumentos dos combustíveis e outros insumos essenciais para o funcionamento do sector dos transportes”.
Mapandzene, avançou que os custos de operação tornaram-se difíceis de suportar para muitos transportadores, tornando necessária a actualização das tarifas para garantir a sustentabilidade da actividade.
Durante o evento, o director Provincial dos Transportes e Comunicações, Carlos Ofíço, esclareceu que o novo tarifário resulta de um processo de concertação envolvendo a Associação dos Transportadores Rodoviários de Gaza (ASTROGAZA), representantes dos distritos e autoridades do sector.
Ofíço explicou que a nova tabela passa a adoptar uma tarifa de 2,25 meticais por passageiro e quilómetro, contra os anteriores 1,60 meticais, representando um aumento de 35 por cento.
Passageiros preparam-se para pagar mais
Portanto, com a entrada em vigor das novas tarifas, várias rotas inter-distritais registam aumentos significativos. Por exemplo, a viagem entre Xai-Xai e Macia passa a custar 135 meticais, contra os anteriores 110. Entre Xai-Xai e Chókwè sobe para 270 meticais, enquanto a ligação para Massingir passa a custar 462 meticais.
Nas ligações com partida em Chibuto, os passageiros passarão a pagar 138 meticais para Macia, 126 para Mandlakazi, 167 para Xai-Xai, 137 para Guijá, 135 para Chókwè, 382 para Nhanale, 137 para Chilembene e 90 meticais para Chissano.
Já nas rotas com origem em Chókwè, as tarifas foram fixadas em 135 meticais para Macia e Chibuto, 216 para Mabalane, 553 para Mapai, 753 para Chicualacuala e 382 meticais para Dindiza.
Para as ligações de longa distância, como Massingir-Chókwè, passa a custar 292 meticais, Massingir-Macia 427, Massingir-Xai-Xai 562 e Massingir-Mabalane 164 meticais. Por sua vez, a rota Mapai-Chicualacuala foi fixada em 180 meticais, enquanto as ligações para Chókwè, Massangena e Mabalane passam a custar 553, 472 e 324 meticais, respectivamente.
Outras rotas também sofreram actualizações, afectando milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte público para deslocações ligadas ao trabalho, comércio, educação e acesso aos serviços públicos.
Transportadores defendem medida
Os operadores de transporte consideram que o aumento era necessário para garantir a continuidade da actividade. Sem gravar entrevista, os operadores avançaram que o reajuste irá minimizar o impacto da subida dos combustíveis e ajudar na manutenção dos próprios veículos.
Já o membro da Comissão de Gestão da ASTROGAZA, Agnaldo Mabote, afirmou que a aprovação das novas tarifas representa um consenso alcançado entre o Governo e os transportadores, permitindo equilibrar os custos operacionais sem comprometer a prestação do serviço.
Segundo explicou, “os operadores enfrentam despesas crescentes relacionadas com combustíveis, manutenção de viaturas, aquisição de peças sobressalentes e outras obrigações associadas à actividade”.
Ainda assim, Mabote garante que os transportadores estão conscientes das dificuldades económicas enfrentadas pela população e assegura que não serão cobrados valores acima dos estabelecidos no novo tarifário.
Governo promete fiscalização
Face ao receio de especulação de preços, as autoridades provinciais garantem que haverá reforço da fiscalização. Carlos Ofíço afirmou que o sector dos transportes irá trabalhar em coordenação com as associações de operadores para assegurar o cumprimento das tarifas aprovadas e impedir cobranças abusivas aos passageiros.
Segundo o dirigente, o objectivo é garantir equilíbrio entre a sustentabilidade económica dos transportadores e a protecção dos utentes, contudo, com a entrada em vigor do novo tarifário, passageiros da província de Gaza iniciam um novo processo de adaptação aos novos preços um processo que coloca extremos desafios no bolso do cidadão. (Alberto Cumbane)








