O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, denunciou nesta segunda-feira a “chantagem tarifária” praticada pelos Estados Unidos contra o Brasil e criticou a presença militar norte-americana no Caribe, durante uma cimeira virtual do BRICS.
Segundo o chefe de Estado brasileiro, a utilização de tarifas e medidas extraterritoriais passou a ser usada como ferramenta de pressão comercial e política. “A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, afirmou Lula, de acordo com o discurso oficial divulgado pela Presidência.
O Presidente acrescentou que “a imposição de medidas extraterritoriais ameaça” as instituições brasileiras e limita a “liberdade de fortalecer o comércio com países amigos”.
Os Estados Unidos aplicaram tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros e ainda sanções direcionadas a autoridades do país, incluindo o juiz Alexandre de Moraes. Moraes é relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado, cujo julgamento deve ser concluído até sexta-feira.
No mesmo discurso, Lula também se referiu ao reforço militar dos Estados Unidos no Caribe, classificando-o como um fator de tensão. “A presença das forças armadas da maior potência mundial no mar do Caribe é um fator de tensão incompatível com a vocação de paz da região”, disse.
O Presidente recordou que a América Latina e o Caribe são considerados zonas de paz desde a assinatura do Tratado de Tlatelolco, em 1968, que estabeleceu a proibição do uso de armas nucleares na região.
A declaração surge em resposta ao recente destacamento de oito navios militares norte-americanos, equipados com mísseis, além de um submarino de propulsão nuclear em águas próximas à Venezuela.
As tensões aumentaram na última semana após um ataque realizado por forças norte-americanas contra uma embarcação que teria partido da Venezuela com onze pessoas a bordo. Washington alegou que os ocupantes estavam envolvidos em tráfico de drogas.
Durante a sua intervenção, Lula exortou ainda os países do BRICS a manterem uma posição comum em defesa do multilateralismo. “Dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo. Cabe ao BRICS mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”, declarou.
O Presidente brasileiro aproveitou para reiterar o pedido de apoio dos BRICS à proposta do Brasil de ampliar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, objetivo antigo da diplomacia brasileira.
Criado em 2009, o BRICS reúne atualmente 11 economias emergentes e atua como fórum de articulação política, económica e social do Sul Global.
Além dos cinco membros fundadores — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, o grupo integra ainda Arábia Saudita, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão.







