A falta de iluminação pública em vários bairros da cidade de Xai-Xai tem vindo a agravar o sentimento de insegurança entre moradores, sobretudo durante o período nocturno, numa altura em que ruas escuras se tornam terreno fértil para a prática de crimes e dificultam a circulação normal de pessoas e viaturas.
Em bairros como 1, 2, 3, 11 e B, entre outras zonas periféricas e centrais da cidade, é comum encontrar vias completamente às escuras, resultado de postes sem lâmpadas, postes de energia caídos, equipamentos avariados ou sistemas de iluminação que deixaram de funcionar há semanas e, em alguns casos, há meses. Durante uma ronda feita em diferentes pontos da cidade, foi possível constatar que, em determinadas ruas, a visibilidade é praticamente nula após o pôr-do-sol, obrigando moradores a recorrerem a lanternas, luzes de telemóvel ou simplesmente a evitar sair de casa durante a noite.
Para muitos residentes entrevistados, a escuridão deixou de ser apenas um incómodo e passou a representar um risco real. “Há zonas onde não se vê nada. Se alguém quiser te fazer mal, consegue sem dificuldade”, contou Laura Sitoe, moradora do bairro 3. Sentimentos e pronunciamentos semelhantes foram recolhidos noutros bairros, onde a população associa directamente a falta de iluminação ao aumento de furtos, assaltos e outros actos de criminalidade.
“Antes conseguíamos circular à noite com mais tranquilidade, mas agora é diferente. As pessoas já evitam sair depois de certa hora”, referenciou Rosa, residente do bairro B. Para além da questão da segurança, a ausência de iluminação pública tem também impactos no quotidiano das famílias. Trabalhadores que regressam tarde a casa, estudantes que frequentam aulas no período pós-laboral e pequenos comerciantes são alguns dos grupos mais afectados.
Aliado a isso, alguns estudantes ouvidos relatam dificuldades no regresso a casa, sobretudo em zonas onde o transporte público é escasso e o percurso precisa de ser feito a pé. “Temos medo, mas não temos outra opção”, disse uma das alunas da Escola Secundária de Xai-Xai. A situação torna-se ainda mais preocupante em locais onde a falta de iluminação coincide com a ausência de patrulhamento policial regular. Moradores afirmam que, em várias áreas, a presença da Polícia é rara, o que aumenta a sensação de abandono.
Aliás, apesar das preocupações manifestadas pela população para com as autoridades, muitos afirmam já ter reportado o problema às autoridades competentes, mas até ao momento, não há soluções concretas.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) também não avançou dados concretos sobre a ocorrência de crimes em zonas sem iluminação.
Para pequenos comerciantes, sobretudo aqueles que dependem do funcionamento no período nocturno, a falta de iluminação representa também perda de rendimento. Com menos circulação de pessoas, as vendas diminuem e o horário de funcionamento acaba por ser reduzido. “Fechamos mais cedo porque não há segurança. Quando escurece, já não compensa ficar”, explicou o vendedor Albino Cumbe.
Com isso, é inevitável subscrever que a situação levanta igualmente questões sobre a gestão de serviços básicos na cidade. A iluminação pública, para além de facilitar a mobilidade, é considerada um elemento essencial na prevenção da criminalidade e na promoção do bem-estar das populações. Sem esse serviço, bairros inteiros ficam mais vulneráveis, não apenas à acção de criminosos, mas também a acidentes, sobretudo em vias com circulação de viaturas e peões.
Com o aumento das queixas e o agravamento do sentimento de insegurança, moradores apelam à intervenção urgente das autoridades, defendendo a necessidade de reposição e manutenção regular do sistema de iluminação pública.
“Não estamos a pedir luxo. Só queremos luz nas ruas para podermos viver com mais segurança”, salientou uma das residentes do bairro 11. Contudo, enquanto não surgem soluções concretas, a realidade mantém-se: à medida que a noite cai, muitas zonas da cidade de Xai-Xai mergulham na escuridão, e com ela cresce o medo entre os que vivem nos bairros afectados.







